memórias de um chapéu


(aldina duarte)



Quisera então saber toda a verdade
De um chapéu na rua encontrado
Trazendo a esse dia uma saudade
D'algum segredo antigo e apagado
Sentado junto à porta desse encontro
Ficando sem saber a quem falar
Parado sem saber qual era o ponto
Em que devia então eu começar


Parada na varanda estava ela a meditar
Quem sabe se na chuva, no sol, no vento ou mar
E eu ali parado perdi-me a delirar
Se aquela beleza era meu segredo a desvendar
Porém apagou-se a incerteza
Eram traços de beleza os seus olhos a brilhar
E vendo que outro olhar em frente havia
Só não via quem não queria da paixão ouvir falar


Um dia entre a memória e o esquecimento
Colhi aquele chapéu envelhecido
Soltei o pó antigo entregue ao vento
Lembrando aquele sorriso prometido
As abas tinham vincos mal traçados
Marcados pelas penas ressequidas
As curvas eram restos enfeitados
De um corte de paixões então vividas

aldina duarte

Comentários

Anónimo disse…
Ja tinha saudades das tuas letras. Ainda bem que voltaste. Beijinho Lina* /acordomar.blogs.sapo.pt
Anónimo disse…
...gosto do embalo das guitarras...
nas letras bem sentidas de um fado...
Em Lisboa sempre com cheiro a saudade ...

Beijinho grande
Sónia
www.lbutterfly.blogs.sapo.pt
Bastet28 disse…
Tao lindo.....qdo aki venho fico..sem palavras!!!
Já agora deixo te aki a letra do meu fado preferido....hj em dia ja ngm o canta, pork é deveras muito dificil, eu ainda vou conseguindo ;)

MALDIÇÃO

Que destino ou maldição
Manda em nós meu coração
Um do outro assim perdidos
Somos dois gritos calados
Dois fados desencontrados
Dois amantes desunidos

Somos dois gritos calados
Dois fados desencontrados
Dois amantes desunidos

Por ti sofro e vou morrendo
Não te encontro, não te entendo
Amo e odeio sem razão
Coração quando te cansas
Das nossas mortas esperanças
Quando paras coração

Nesta luta nesta agonia
Canto e choro todo dia
Sou feliz e desgraçada
Que sina tua meu peito
Que nunca estás satisfeito
Que dás tudo e não tens nada

Ó gelada solidão
Que tu me dás coração
Não é vida nem é morte
É lucidez desatino
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte...
(Alfredo Duarte e Armando V. Pinto)

Kiss by Bastet
Bastet28 disse…
É...amanha é sempre outro dia e concerteza alguem lhe dará esse abraço..bem apertado!!

Obrigada por me ter posto nos preferidos!Esta nos meus tb ;)

Posso abusar??Como se poe a musikita a tocar?? assim....ke ngm nos ouve??ihihih

beijo By Bastet
lena disse…
grande camané, grande aldina, graaaaande zé mário!

;)*
Danies disse…
Viva o Fado e os Fadistas.
Eu adoro Aldina Duarte e estou mais que ansioso por vê-la na CulturGest, em Lisboa, no próxima dia 3 de Junho. Bilhete já o tenho. Aldina Duarte traz o povo português na sua voz e no seu olhar. Qual Mariza qual quê. Essa que aprenda, que não é o João Rôlo ou o Herman José que fazem de alguém Fadista. Viva o Fado, os Poetas e os Músicas
Azul disse…
Então não é que agora mesmo, ao ouvir este fado, achei que ele foi escrito a propósito do meu olhar brilhante? Já viu bem o que me arranjou Rui Luís? assim fico com o coração despedaçado. Um beijo pa si. Azul. Boa escolha.
João Maria disse…
Parabéns Rui pelo blog magnífico! venha visitar o meu blog sobre Aldina Duarte - Apenas o Amor - e os seus gostos e pensamentos acho que seria do seu interesse, senão ficará sempre a conhecer boa poesia e boas imagens seguramente.

Parabéns pelo bom gosto!
Dayse Sene disse…
No seu blog não tem seguidores?Gostaria de ser uma seguidora. Bjinhos

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